A A. deixou um comentário impecável no post em que uma leitora explica por que ainda torce o nariz pro feminismo:
O depoimento
retrata uma exclusão sofrida pela T. dentro de um grupo específico por
ela não apresentar os pré-requisitos básicos estabelecidos por esses
grupos, ou seja, é a experiência dela com determinadas pessoas que
quiseram diminuí-la em sua luta. Mesmo buscando informação e
conhecimento nos textos da Lola, por exemplo, ela quis expor críticas e
aflições individuais para superar o problema que enfrentou e seguir em
frente. Qual é o problema nisso?
Aí a gente vai lá e taca mais pedra na pessoa. Produção de ódio.
Ah! Acho que ficou
bem claro que ela não é contra outros grupos marginalizados, mas sim
contra uma marginalização proposta por esses grupos aos demais. Essa é
uma crítica importante. E é verdadeira. Vide a querela da transfobia das
"feministas contra pirocos invasores". Movimentos por busca de
igualdade e direitos não podem fazer inversão de valores e se tornarem
algozes de outro grupo. Isso não faz sentido. Soa algo como, por
exemplo: "Sou lésbica e o homem branco me oprime, vou descontar tudo nas
mulheres que se relacionam com eles. Mesmo que elas (e às vezes até
eles) me abracem e me apoiem em minha luta diária."
O que T. sente
falta na vida dela é da sororidade que tantxs falam e não praticam. Ela
não torce o nariz para o feminismo como pude perceber. Ela torce o nariz
para essas demandas absurdas de controle e moralidade que não respeitam
o tempo e o espaço de cada um. Ela torce o nariz para a falta de
acolhimento. Eu também não quero esse determinado tipo específico de
feminismo para seguir um dogma igualmente massacrante ao do status quo
estipulado por sei lá quem. Se eu quisesse isso eu procurava a igreja.
Só mais um ponto,
essa história da maquiagem e da depilação, seja lá o que for. Eu ainda
não encontrei uma crítica realmente contundente contra essas práticas.
As críticas muitas vezes surgem para atacar a pessoa que possui os
hábitos. Pois, se você "pertence" a um grupo de esquerda e belo dia
resolve passar um batom vermelho, não tem jeito, você certamente será
perseguida e ridicularizada tal como faziam as beatas de 1920 com as
moças de Ilhéus e dos bordéis.
É bem chato. Se você frequenta um grupo de esquerda
e grupo feminista, sempre tem um monte de regrinha para se adequar. E
qual é o ponto disso? É para gente ficar igual aos estudantes de ensino
médio de escola americana? É tipo uma seita do Manson? Em grupos de
esquerda é assim, se você consome "coisas de mulher" você é fútil e
consumista. Mas, né? Nem somos machistas. Os caras acham que comprar sei
lá quantos aparelhos eletrônicos, tomar cerveja e fumar, por exemplo,
não é consumismo. É o auge da subversão.
Eu não conheço
nenhum que produza a própria cerveja ou fumo de próprio punho. Você tem
que seguir todo o protocolo do que elas ou eles inventaram como sendo
sagrado. Eu nunca li essas coisas que inventam no Manifesto Comunista, nem no Segundo Sexo, por exemplo. Pode ser que eu tenha faltado essa aula.
Então, pelamor, sem
purismos, sem regrinhas colegiais. Estamos todos aqui usando
computadores feitos com trabalho escravo. E não adianta gritar que não
tem computador, usamos uma porção de outras coisas, comemos, nos
vestimos, etc. Somos secularizados, século XXI, não é para voltar para
as cavernas. É para mudar o jeito como as coisas são estipuladas, coisas
que causam sofrimento e exclusão aos grupos marginalizados. Acreditamos
que dá para ser melhor, vamos focar nisso.
































0 comentários:
Postar um comentário