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"SE EU QUISESSE SEGUIR DOGMAS PROCURAVA A IGREJA"

terça-feira, 14 de julho de 2015

Tokyo


A A. deixou um comentário impecável no post em que uma leitora explica por que ainda torce o nariz pro feminismo:

O depoimento retrata uma exclusão sofrida pela T. dentro de um grupo específico por ela não apresentar os pré-requisitos básicos estabelecidos por esses grupos, ou seja, é a experiência dela com determinadas pessoas que quiseram diminuí-la em sua luta. Mesmo buscando informação e conhecimento nos textos da Lola, por exemplo, ela quis expor críticas e aflições individuais para superar o problema que enfrentou e seguir em frente. Qual é o problema nisso? 
Aí a gente vai lá e taca mais pedra na pessoa. Produção de ódio.
Ah! Acho que ficou bem claro que ela não é contra outros grupos marginalizados, mas sim contra uma marginalização proposta por esses grupos aos demais. Essa é uma crítica importante. E é verdadeira. Vide a querela da transfobia das "feministas contra pirocos invasores". Movimentos por busca de igualdade e direitos não podem fazer inversão de valores e se tornarem algozes de outro grupo. Isso não faz sentido. Soa algo como, por exemplo: "Sou lésbica e o homem branco me oprime, vou descontar tudo nas mulheres que se relacionam com eles. Mesmo que elas (e às vezes até eles) me abracem e me apoiem em minha luta diária." 
O que T. sente falta na vida dela é da sororidade que tantxs falam e não praticam. Ela não torce o nariz para o feminismo como pude perceber. Ela torce o nariz para essas demandas absurdas de controle e moralidade que não respeitam o tempo e o espaço de cada um. Ela torce o nariz para a falta de acolhimento. Eu também não quero esse determinado tipo específico de feminismo para seguir um dogma igualmente massacrante ao do status quo estipulado por sei lá quem. Se eu quisesse isso eu procurava a igreja.
Só mais um ponto, essa história da maquiagem e da depilação, seja lá o que for. Eu ainda não encontrei uma crítica realmente contundente contra essas práticas. As críticas muitas vezes surgem para atacar a pessoa que possui os hábitos. Pois, se você "pertence" a um grupo de esquerda e belo dia resolve passar um batom vermelho, não tem jeito, você certamente será perseguida e ridicularizada tal como faziam as beatas de 1920 com as moças de Ilhéus e dos bordéis.
É bem chato. Se você frequenta um grupo de esquerda e grupo feminista, sempre tem um monte de regrinha para se adequar. E qual é o ponto disso? É para gente ficar igual aos estudantes de ensino médio de escola americana? É tipo uma seita do Manson? Em grupos de esquerda é assim, se você consome "coisas de mulher" você é fútil e consumista. Mas, né? Nem somos machistas. Os caras acham que comprar sei lá quantos aparelhos eletrônicos, tomar cerveja e fumar, por exemplo, não é consumismo. É o auge da subversão. 
Eu não conheço nenhum que produza a própria cerveja ou fumo de próprio punho. Você tem que seguir todo o protocolo do que elas ou eles inventaram como sendo sagrado. Eu nunca li essas coisas que inventam no Manifesto Comunista, nem no Segundo Sexo, por exemplo. Pode ser que eu tenha faltado essa aula. 
Então, pelamor, sem purismos, sem regrinhas colegiais. Estamos todos aqui usando computadores feitos com trabalho escravo. E não adianta gritar que não tem computador, usamos uma porção de outras coisas, comemos, nos vestimos, etc. Somos secularizados, século XXI, não é para voltar para as cavernas. É para mudar o jeito como as coisas são estipuladas, coisas que causam sofrimento e exclusão aos grupos marginalizados. Acreditamos que dá para ser melhor, vamos focar nisso. 
Vamos focar nas estruturas e não na companheira, tudo bem?


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    A A. deixou um comentário impecável no post em que uma leitora explica por que ainda torce o nariz pro feminismo:

    O depoimento retrata uma exclusão sofrida pela T. dentro de um grupo específico por ela não apresentar os pré-requisitos básicos estabelecidos por esses grupos, ou seja, é a experiência dela com determinadas pessoas que quiseram diminuí-la em sua luta. Mesmo buscando informação e conhecimento nos textos da Lola, por exemplo, ela quis expor críticas e aflições individuais para superar o problema que enfrentou e seguir em frente. Qual é o problema nisso? 
    Aí a gente vai lá e taca mais pedra na pessoa. Produção de ódio.
    Ah! Acho que ficou bem claro que ela não é contra outros grupos marginalizados, mas sim contra uma marginalização proposta por esses grupos aos demais. Essa é uma crítica importante. E é verdadeira. Vide a querela da transfobia das "feministas contra pirocos invasores". Movimentos por busca de igualdade e direitos não podem fazer inversão de valores e se tornarem algozes de outro grupo. Isso não faz sentido. Soa algo como, por exemplo: "Sou lésbica e o homem branco me oprime, vou descontar tudo nas mulheres que se relacionam com eles. Mesmo que elas (e às vezes até eles) me abracem e me apoiem em minha luta diária." 
    O que T. sente falta na vida dela é da sororidade que tantxs falam e não praticam. Ela não torce o nariz para o feminismo como pude perceber. Ela torce o nariz para essas demandas absurdas de controle e moralidade que não respeitam o tempo e o espaço de cada um. Ela torce o nariz para a falta de acolhimento. Eu também não quero esse determinado tipo específico de feminismo para seguir um dogma igualmente massacrante ao do status quo estipulado por sei lá quem. Se eu quisesse isso eu procurava a igreja.
    Só mais um ponto, essa história da maquiagem e da depilação, seja lá o que for. Eu ainda não encontrei uma crítica realmente contundente contra essas práticas. As críticas muitas vezes surgem para atacar a pessoa que possui os hábitos. Pois, se você "pertence" a um grupo de esquerda e belo dia resolve passar um batom vermelho, não tem jeito, você certamente será perseguida e ridicularizada tal como faziam as beatas de 1920 com as moças de Ilhéus e dos bordéis.
    É bem chato. Se você frequenta um grupo de esquerda e grupo feminista, sempre tem um monte de regrinha para se adequar. E qual é o ponto disso? É para gente ficar igual aos estudantes de ensino médio de escola americana? É tipo uma seita do Manson? Em grupos de esquerda é assim, se você consome "coisas de mulher" você é fútil e consumista. Mas, né? Nem somos machistas. Os caras acham que comprar sei lá quantos aparelhos eletrônicos, tomar cerveja e fumar, por exemplo, não é consumismo. É o auge da subversão. 
    Eu não conheço nenhum que produza a própria cerveja ou fumo de próprio punho. Você tem que seguir todo o protocolo do que elas ou eles inventaram como sendo sagrado. Eu nunca li essas coisas que inventam no Manifesto Comunista, nem no Segundo Sexo, por exemplo. Pode ser que eu tenha faltado essa aula. 
    Então, pelamor, sem purismos, sem regrinhas colegiais. Estamos todos aqui usando computadores feitos com trabalho escravo. E não adianta gritar que não tem computador, usamos uma porção de outras coisas, comemos, nos vestimos, etc. Somos secularizados, século XXI, não é para voltar para as cavernas. É para mudar o jeito como as coisas são estipuladas, coisas que causam sofrimento e exclusão aos grupos marginalizados. Acreditamos que dá para ser melhor, vamos focar nisso. 
    Vamos focar nas estruturas e não na companheira, tudo bem?

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